2.10 - Ciência Cidadã

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10. Ciência Cidadã

O que é?

A ciência cidadã é o envolvimento do público não-académico no processo de investigação científica - seja esta investigação conduzida pela comunidade local ou internacional). Os cidadãos desenvolvem trabalho científico, frequentemente em conjunto com especialistas ou instituições científicas. Dão apoio à recolha, análise ou descrição de dados de investigação, prestando assim um valioso serviço à ciência. O primeiro projeto de ciência cidadã de que há registo foi desenvolvido durante o Natal de 1900, nos EUA, quando a National Audubon Society realizou a sua Contagem de Pássaros de Natal. À data, o projeto de ciência cidadã mais bem-sucedido terá sido o Galaxy Zoo, que no decorrer de um ano juntou mais de 150.000 participantes a classificar galáxias.

A ciência cidadã é sobretudo um produto direto da comunicação de ciência bem conseguida e do envolvimento do público na ciência. Na era das tecnologias digitais em rede, os investigadores dispõem de uma grande variedade de canais para divulgar o seu trabalho a públicos não-académicos mais alargados. Se tradicionalmente a investigação científica tem sido difundida através de comunicações em conferências, artigos de investigação e livros, agora os investigadores têm ao dispor blogues, média sociais, plataformas de partilha de vídeo e diversas redes sociais digitais para orientar e alargar as suas atividades de disseminação.

Fundamentação

A ciência cidadã é simultaneamente um objetivo e um instrumento facilitador da ciência aberta. Pode referir-se à participação ativa e aberta de cidadãos no processo de investigação em si, muitas vezes através de atividades tipo "crowdsourcing"; neste sentido, inclui atividades como recolha de dados, análise de dados, monitorização voluntária e computação distribuída. Mas pode também referir-se à crescente compreensão da ciência pelo público, facilitada por melhor acesso a informação sobre o processo de investigação, nomeadamente pela possibilidade de usar dados abertos e de aceder publicações abertas. São exemplos deste último sentido (também designado como ciência faça-você-mesmo, Do-It-Yourself Science) as inovações desenvolvidas pelos pacientes, o ativismo/defesa dos pacientes, as ONG ou os grupos pró-direitos civis. Esta classificação mais clara distingue então as atividades conduzidas por cientistas das que são conduzidas por não-cientistas (ver Outside the Academy – DIY Science Communities). O público também pode ser envolvido no desenvolvimento de políticas, por exemplo, através da definição de agendas do sistema de investigação (ver European Commission’s Open Science Monitor).

"Em conjunto, a Ciência Cidadã e a Ciência Aberta poderão enfrentar grandes desafios, dar resposta à diminuição da confiança da sociedade na ciência, contribuir para a criação de bens comuns e recursos partilhados e facilitar a transferência de conhecimento da ciência para a sociedade, de modo a estimular a inovação. As questões de abertura, inclusão e capacitação, educação e formação, financiamento, infraestruturas e sistemas de compensação são discutidas em relação aos desafios críticos para ambas as abordagens. A Ciência Cidadã e a Ciência Aberta podem ser consideradas conjuntamente, para fortalecer as sinergias através da construção de iniciativas existentes, lançando ações para educação e formação, e infraestruturas.". Extraído do Policy Brief on Citizen Science and Open Science, da Associação Europeia de Ciência Cidadã (ECSA)

Objetivos de aprendizagem

  1. Compreender os diferentes aspetos da ciência cidadã (colaborativa vs. faça-você-mesmo).

  2. Compreender os conceitos básicos e as perspetivas das várias partes interessadas no campo da comunicação da ciência.

  3. Gestão da propriedade intelectual em projetos de ciência cidadã. Guia disponível aqui.

  4. Identificar as melhores estratégias para comunicar princípios científicos de forma clara e concisa.

  5. Quais são as melhores formas de comunicar a investigação/história, com quem e com que ferramentas.

Componentes principais

Conhecimento

A Associação Europeia de Ciência Cidadã (ECSA) criou um guia de melhores práticas para definir o que constitui boa ciência cidadã e redigiu os 10 princípios da ciência cidadã. A declaração foi traduzida para várias línguas. Os 10 princípios indicam as melhores práticas para qualquer projeto de ciência cidadã.

Há questões fundamentais a ter em conta quando se começa um projeto de ciência cidadã: como envolver os cidadãos? Como garantir a qualidade dos dados? Como lidar com questões éticas e legais?

O debate sobre a avaliação de atividades de ciência cidadã ainda está em aberto, mas já há exemplos do que pode ser considerado impacto social em relatórios como os estudos de caso extraídos do UK Research Excellence Framework.

Competências

Ser capaz de distinguir diferentes abordagens em projetos de ciência cidadã: projetos em que os cidadãos fornecem apenas dados daqueles em que o envolvimento do cidadão decorre durante todo o processo de investigação.

Ser capaz de aconselhar sobre aspetos legais e éticos relacionados com a recolha de dados, incluindo dados pessoais de cidadãos.

Ser capaz de dar soluções diferentes para partilha dos resultados da investigação.

Perguntas, obstáculos e equívocos comuns

  • Uma das controvérsias frequentes nos projetos de cidadãos diz respeito à forma como os investigadores disponibilizam publicamente os dados recolhidos pelos cidadãos. Os investigadores devem estar cientes das várias formas possíveis para partilhar esses dados tendo em conta os aspetos legais e éticos.

  • Questão frequente na formação em ciência cidadã é a da ausência de compensações pelas práticas de ciência cidadã quando não são produzidos resultados de investigação "tradicional" (artigo, atas, etc.). Uma boa solução para este problema poderá ser discutir com os participantes como gostariam de ser recompensados ​​e que métodos propõem.

Resultados de aprendizagem

  1. Os formandos serão capazes de identificar as diferentes abordagens dos projetos de ciência cidadã e saber como lidar com os seus aspetos legais e éticos, em particular os que se relacionam com a gestão de dados.

  2. Os participantes da formação deverão aprender a envolver os cidadãos em todos os momentos da investigação.

Leitura adicional: